A Stone vem aprofundando sua estratégia de Inteligência Artificial Generativa ao longo de 2025, incorporando a tecnologia em diferentes dimensões do negócio e mantendo o foco simultâneo em eficiência operacional, geração de receita e expansão de uma cultura interna orientada por dados. Segundo Lucas Prim, diretor de IA da Stone, a empresa estruturou três frentes complementares para a adoção da GenAI: a primeira voltada à escala e robustez de aplicações já comprovadas, assegurando que soluções maduras pudessem ampliar seu impacto estratégico; a segunda direcionada à descoberta ágil, com testes rápidos e ciclos curtos de melhoria para validar hipóteses com eficiência e contenção de custos; e a terceira dedicada à adoção descentralizada, permitindo que colaboradores de múltiplas áreas utilizassem ferramentas corporativas homologadas, como Gemini e NotebookLM, além de trilhas de capacitação que ampliam a autonomia no uso da IA.
Os resultados obtidos mostram uma evolução consistente no uso da tecnologia para finalidades operacionais e comerciais. O caso de uso mais avançado da companhia, que aplica GenAI no atendimento, apresenta potencial de gerar dezenas de milhões de reais em economia de custos em 2025, além de registrar uma taxa de 93% de avaliações positivas por parte dos clientes que utilizam o serviço. No âmbito comercial, a aplicação de GenAI no processo de vendas trouxe milhares de novos negócios por mês quando comparado com o fluxo original dos canais digitais, fortalecendo a capacidade da empresa de ampliar receita com eficiência e previsibilidade.
A jornada de adoção também trouxe desafios importantes. O primeiro, segundo Prim, foi assegurar que os casos de uso priorizados estivessem conectados diretamente aos desafios estratégicos da companhia. A GenAI abre um conjunto amplo de possibilidades e, diante disso, a definição daquilo que realmente gera valor exige um framework de priorização sólido, capacidade de mensuração e foco incontornável em resultados de negócio. O segundo desafio esteve relacionado à governança e à cultura, especialmente na promoção de uma adoção descentralizada que mantivesse qualidade técnica, disciplina de custos e foco em ROI. Equilibrar autonomia com governança robusta tornou-se peça central para garantir impacto relevante sem descontrole de investimentos ou proliferação de iniciativas de baixo retorno.
Para empresas que iniciam ou ampliam suas iniciativas de GenAI, Prim destaca aprendizados que se mostraram fundamentais para acelerar a maturidade sem comprometer eficiência. Entre eles, a importância de manter um foco legítimo em resultados, com métricas claras que orientem a tomada de decisão, e de cultivar uma cultura de probe, build and scale que permita testar hipóteses de forma ágil, construir soluções a partir de evidências e escalar apenas aquilo que demonstra impacto real. Essa combinação cria um ambiente que fomenta a inovação sem dispersão de recursos, ao mesmo tempo em que estabelece uma ponte direta entre experimentação e valor gerado.
Para 2026, a Stone estruturou três prioridades estratégicas para a evolução de GenAI. A primeira envolve garantir a melhoria contínua dos casos de uso já escalados, como atendimento e vendas, assegurando que a companhia continue na vanguarda da aplicação da tecnologia em processos críticos. A segunda prioridade está na inovação focada, com ênfase na exploração de aplicações de GenAI capazes de gerar impacto significativo para os micro, pequenos e médios empreendedores brasileiros, principal base de atuação da empresa. A terceira prioridade diz respeito ao fortalecimento da cultura interna, ampliando o conceito de IA como um jeito de ser e investindo em upskilling, facilitação e adoção de práticas GenAI-native em diversas áreas da organização.
Ao refletir sobre o papel do líder humano neste novo cenário em que IA e processos decisórios se tornam cada vez mais integrados, Prim afirma que a tecnologia é capaz de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e sugerir caminhos, mas cabe ao líder orquestrar a colaboração entre humanos e agentes de IA. Ele observa que, na Stone, já existem equipes onde profissionais atuam lado a lado com dezenas de agentes inteligentes, que conduzem milhões de interações autônomas com clientes e oferecem suporte aos times no dia a dia. Nesse contexto, o líder deixa de ser o principal resolvedor de problemas táticos e passa a ser o formulador de perguntas certas, responsável por desafiar recomendações de IA, garantir alinhamento com valores institucionais e oferecer o julgamento ético e estratégico que só o humano é capaz de prover. Acima de tudo, permanece a responsabilidade final sobre as decisões e seus impactos individuais e empresariais.
fonte: TI INSIDE


