Em 2025, a Junto Seguros elevou a Inteligência Artificial Generativa a uma de suas prioridades estratégicas, após anos de investimentos iniciais em IA desde 2018 e experimentações precoces ainda em 2019. Segundo Karine Chaves, CTIO, e Caio Doetzer, gerente sênior de Dados e IA, a companhia estruturou sua jornada em três pilares: segurança e governança, iniciativas corporativas voltadas para eficiência interna e iniciativas de negócio focadas em transformação das relações com parceiros. O modelo foi acompanhado diretamente pela alta liderança, com aumento de investimentos, criação de manuais específicos e rituais semanais de monitoramento executivo. O objetivo foi assegurar que a evolução da tecnologia ocorresse com responsabilidade, controle e alinhamento estratégico.
Os primeiros resultados já demonstram avanços relevantes em engajamento comercial, produtividade técnica e maturidade de governança. Cerca de 10% da base de corretores utilizou o agente de IA para cotação de apólices, enquanto aproximadamente 10% dos casos analisados manualmente pela subscrição passaram a contar com apoio de modelos proprietários. Em tecnologia, cerca de 35% das linhas de código já são produzidas com auxílio de GenAI, e 100% dos colaboradores têm acesso a uma solução corporativa que garante privacidade e confidencialidade dos dados. Além disso, todas as novas soluções de IA generativa contratadas passam por avaliação de um time multidisciplinar, reforçando a estrutura de segurança e mitigação de riscos.
A adoção, no entanto, exigiu o enfrentamento de desafios tecnológicos e culturais. As primeiras versões dos agentes tinham limitações de performance, o que reduziu o engajamento e atrasou a curva de aceitação interna. A superação desse cenário ocorreu com maior aproximação das áreas de negócio e integração das soluções às plataformas já consolidadas, fortalecendo confiança e utilidade. O eixo mais crítico da jornada, segundo a empresa, é garantir explicabilidade: em um setor regulado, decisões assistidas por IA precisam ser rápidas e também auditáveis, de forma que reguladores, parceiros e clientes tenham clareza sobre o processo.
Entre os aprendizados, a Junto destaca a importância de um programa estruturado de GenAI com governança, segurança, consultoria especializada e ferramentas próprias. O assessment inicial permitiu identificar riscos, ajustar processos e acelerar a adoção com maior previsibilidade. A companhia reforça que visibilidade, controle de custos e padronização são fundamentais para escalar iniciativas sem fragmentação ou exposição desnecessária.
Para 2026, a prioridade será expandir o uso de IA para todas as áreas da empresa, oferecendo autonomia para que as equipes desenvolvam seus próprios assistentes e agentes dentro de um ambiente governado e seguro. A companhia também pretende ampliar iniciativas de transformação do mercado segurador, com foco em aumentar a penetração do seguro garantia e a capilaridade de distribuição.
fonte: TI INSIDE


